Believe in me...
"Life is a tale Told by an idiot, full of sound and fury, Signifying nothing" (Macbeth, V, 5)

arrested development is the best


A alma humana é um manicômio de caricaturas.
Se uma alma pudesse revelar-se com verdade
E nem houvesse um pudor mais profundo 
que todas as vergonhas conhecidas, definidas
Seria, como dizem, da verdade o poço.
Mas um poço sinistro, cheio de ecos vagos, 
habitado por vidas ignóbeis, 
viscosidades sem vida, lesmas sem ser.
Ranho da subjetividade.
Eis a alma.

Fernando Pessoa


É frustrante se ver projetando nos outros, mesmo que inconscientemente, as desgraças que se dão a ti.


“"Fools" said I, "You do not know
Silence like a cancer grows.
Hear my words that I might teach you,
Take my arms that I might reach you.”
But my words like silent raindrops fell,
And echoed
In the wells of silence”
— P. Simon

É preciso casar João
É preciso suportar Antônio
É preciso odiar Melquíades
É preciso substituir nós todos

É preciso salvar o país
É preciso crer em Deus
É preciso pagar as dívidas
É preciso comprar um rádio
É preciso esquecer fulana

É preciso estudar volapuque
É preciso estar sempre bêbado
É preciso ler Baudelaire
É preciso colher as flores
De que rezam os velhos autores

É preciso viver com os homens
É preciso não assassiná-las
É preciso ter mãos pálidas
E anunciar o fim do mundo

— Carlos Drummond de Andrade (via maisdomas)


“No primeiro dia pensei em me matar. No segundo, em virar padre. No terceiro, em beber até cair. No quarto, pensei em escrever uma carta para Marcela. No quinto, comecei a pensar na Europa e no sexto comecei a sonhar com as noites em Lisboa. Em seis dias Deus fez o mundo e eu refiz o meu.”
— Brás Cubas (via licantrupus)

“A vida é filha da puta,
a puta é filha da vida,
nunca vi tanto filho da puta,
na puta da minha vida!”
Bocage (via escrever-te-ei)

“Muitos temores nascem do cansaço, e da solidão. Descompasso, desperdício, herdeiros são agora da virtude que perdemos.”
— R. Russo

“A minha pobreza reside em que a minha mão nunca se cansa de dar, a minha inveja são os olhos que vejo esperando, e as noites vazias do desejo.”
— F. Nietzsche

Sou uma forte tempestade,
um dia sem vento.
Sou mar de ressaca,
sou calmaria.
Sou um único dia,
uma vida inteira.
Impossível ser constante,
quando o mundo não o é.
Mas o mundo não se pergunta o porquê,
nem se dá conta do que,
apenas é.
Enquanto isso sofro querendo mudar,
querendo apenas racionalizar.
Ser humano é mais ser mundo que animal.


Madrugada

Não quero dormir,
não quero fumar,
nem comer,
beber,
ou cantar.
Quero escrever,
preciso pensar.
Tanto para fazer.
Amanhã estudar.
Não há tempo a perder.
Cada minuto do dia é contado,
para fazer valer.
Tempo é dinheiro,
costumam dizer.
Tanto ter.
E o ser?
Não sei.
Melhor não querer saber.
Melhor esquecer.
(Não) Viver.


c-a-n-a-r-i-o:

Sorriso audível das folhas,
Não és mais que a brisa ali.
Se eu te olho e tu me olhas,
Quem primeiro é que sorri?
O primeiro a sorrir ri.

Ri, e olha de repente,
Para fins de não olhar,
Para onde nas folhas sente
O som do vento passar.
Tudo é vento e disfarçar.

Mas o olhar, de estar olhando
Onde não olha, voltou;
E estamos os dois falando
O que se não conversou.
Isto acaba ou começou

Fernando Pessoa


O dia vai chegar,
quando a mágoa acabar,
se algum amor restar,
se for possível recomeçar,
tentarei esperar.
Só que se muito demorar,
e outro alguém se achegar,
não poderei evitar.
Continuarei, mesmo assim, a duvidar,
do que quis nos separar.
Mas não tem que se preocupar,
já não há mais penar,
talvez algum pesar,
que também não vai importar,
se na verdade nunca se perguntar.
Deixe estar.


Juntando meu passado com meu presente vejo que chegou a hora de seguir em frente.


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