Believe in me...
"Life is a tale
Told by an idiot, full of sound and fury,
Signifying nothing"
(Macbeth, V, 5)

Torna-te quem tu és:
Canção
Clarão
Crescente
Transcender

Não arrisque crer na intuição que em vão
Nos faz desvanecer

— T.M.

“While men were watching professional football or drinking beer or bowling, they, the women, were thinking about us, concentrating, studying, deciding—whether to accept us, discard us, exchange us, kill us or whether simply to leave us.”
— C. Bukowski

m-a-c-a-e:

poeta-exilado:

Mundo Grande de Carlos Drummond de Andrade. Parceria: m-a-c-a-e

Não, meu coração não é maior que o mundo.

É muito menor.
Nele não cabem nem as minhas dores.
Por isso gosto tanto de me contar.
Por isso me dispo,
por isso me grito,
por isso freqüento os jornais, me exponho cruamente nas livrarias:
preciso de todos.


Além dos enganos,
outros planos.
Além dos anos,
outros cantos.

Menos santos,
lentos,
mansos.

Mais claros,
calmos,
rasos.

Menos reticências,
mais pontos finais.

Menos interrogações,
mais exclamações.

Menos rimas,
mais emoções.

Menos pesquisa,
mais invenção.

Menos dever
ou obrigação.

Mais amor
ou paixão.


Red beard and blue eyes.
Could be the paradise
of one crazy sight,
of another type of life,
of a beautiful mind.
Red beard and blue eyes,
something else to like,
feels the need to try,
no reason to hide
all that deepness inside.
Red beard and blue eyes,
slowly conquering fights.
Somewhere, sometime,
in one of those nights,
you’ll see just how kind
can be your own life.


Reflexo do mundo que encontro,
vôo longe, atento, estranho.
Me perco se pouco penso,
se não absorvo por extenso,
cada movimento
breve momento
faminto e atento.
Sorrio para dentro
quando depois me lembro.
Neles me insiro
e do resto ausento.
Pouco escrevendo,
aproveito o tempo.
Vôo mais perto,
fundamento o afeto,
acalento o incerto,
sempre sincero,
não espero.


“No dawn, no day, I’m always in this twilight. In the shadow of your heart.”
— Florence + the machine

Se sou, por que nunca sou?

Pode ser uma doença destas novas gerações, talvez. As estatísticas talvez possam dizer que ao longo dos anos depressão e ansiedade tornam-se cada vez mais comuns. Poderia ser uma mutação genética, esta tendência. Poderia ser por causa do ambiente, das transformações que o próprio homem causou a si mesmo. Epigenética.

Poderia ser essa a causa de toda a apatia que vemos hoje em dia. Simplesmente todos estão deprimidos, consumidos pela própria rotina, pelas expectativas, pelas propagandas, pelos pequenos pedaços de papel colorido.

(Citando Douglas Adams “Este planeta tem – ou melhor, tinha – o seguinte problema: a maioria de seus habitantes estava quase sempre infeliz. Foram sugeridas muitas soluções para esse problema, mas a maior parte delas dizia respeito basicamente à movimentação de pequenos pedaços de papel colorido com números impressos, o que é curioso, já que no geral não eram os tais pedaços de papel colorido que se sentiam infelizes.”).

Pela necessidade  vital de se reproduzir, e os papéis coloridos que estão envolvidos nisso (Maquiagens, unhas, brincos, colares, roupas, relógios, carros, casas, sucesso, sorrisos, viagens. Tudo simplesmente querendo dizer “Ei! Tenho bons genes! Nossa prole vai sobreviver e se reproduzir!”).

Por isso que grandes mentes vem acompanhadas de ajudas exteriores. Mas por mais que a causa dessa tendência possa não ser nossa culpa, a falta de uma cura ainda é. Somos responsáveis pelos próprios preconceitos, morais e necessidades de aceitação.

Mas ao mesmo tempo, por que não poderia eu, com meu próprio corpo (Não digo corpo e mente porque não vejo real separação) mudar isto? Não é forte o suficiente a força vital de um organismo?

Esses neurônios me formam, formam meu cérebro, são eu. Todos os neurotransmissores que sintetizam, são eu. Por que não sou capaz de controlar essa produção? Sim, este controle está em meu DNA. Mas sou meu DNA, em absolutamente tudo!

Então, se sou, por que nunca sou?



Se eu não tivesse tetraidrocanabinol em meu sangue , e um .pdf de um livro escrito por Nietzsche em meu computador,
como poderia, em condições neurais normais, ser capaz de chegar a estas conclusões?
Como, com meus níveis normais de dopamina, serotonina e GABA, com meus receptores de nicotina funcionando normalmente,
iria eu desenvolver esta lógica?
Escrever dessa forma?
É o que precisa ser feito.
E não há porque não o ser.


Por que é justo que se dê a um o mesmo que se dá a ti?
Por que uma pessoa merece que com ela aconteça as mesmas virtudes e males que faz?
Por que é certo que uma pessoa retribua ao que recebe?
Justo, merecedor, certo.
Retribuição, perdão.
Todas formas de moral, de dever.
Agora entendo este texto das tarântulas.
É uma moral que confunde, engana, e enjoa.
"Antes quero ser um estilista do que um turbilhão de vingança." (Nietzsche, 1833)


Só mais um no meio de um milhão,
um ponto no meio da multidão.
Irreconhecível, tento em vão.
Absortos no mundo em que estão,
não fazem assim tanta questão.
É mais simples viver na solidão,
da internet e da televisão,
pura ilusão
estes eternos dias de verão.
Perdem toda a imaginação,
ignoram os que aqui estão.
E assim se vão
sem nunca sair do chão.
E aqui brinco então,
com as palavras do coração,
esperando a redenção,
de quem me tirou da escuridão.


A bit drunk,
a bit sad,
a bit known,
a bit had.
Some will come,
some will get,
some will leave and never come back.
And I’ll stay,
And I always stay.
Kinda funny,
kinda scared,
kinda thoughtful, I kinda forget.
And the things never shared,
All the dreams that never last.
Sorrows of the past.
And I’ll stay.
And I always stay.
No tomorrow, what else to say,
one should either come,
or leave right away.
Because I’ll stay.


I’ll find my way,
through night and day,
avoiding fates,
faiths,
states.
Avoiding yesterdays,
past mistakes,
miseries and complains.
I’ll find my way,
throwing away,
all the shit
that I just can’t stand.


Como tudo o que nasce singelo,
belo,
sincero.
Nasce também frágil e cobiçado.
Quanto mais se torna conhecido,
mais é destruído,
esgotado,
super-explorado.
A partir desse esgotamento,
do decaimento,
se dá a transformação.
E essa, aos olhos dos homens,
é temida,
desconhecida,
sombria.
A partir do fim sempre se dá um início,
infinito.


“E é sempre melhor o impreciso que embala do que o certo que basta,
Porque o que basta acaba onde basta, e onde acaba não basta”
— A. de Campos

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